Desejar vida longa às inimigas e mandar beijinho pro recalque, como sugere o hit Beijinho no Ombro, tem caído em desuso pelas mulheres engajadas nos grupos feministas. Já o termo “sororidade” tem ganhado adeptas no grupo. A expressão vem do latim sororis, que significa irmande e é utilizada para restabelecer os laços ético, político e sociais entre as mulheres. O objetivo final é incentivá-las a se respeitar, admirar e elogiar umas às outras. Assim, pode- -se descontruir competições fúteis que, ao longo dos anos, a sociedade sempre estimulou.
Para a integrante da Marcha das Vadias - Recife, Carolina Plácido, 25, esse sentimento de competir com outra mulher não parece apropriado. “Tenho tentado explicar a outras mulheres que não precisamos competir e sim nos unir contra o sistema opressor que o patriarcado exerce em todas nós”, defende.
Muitas vezes reféns de brigas de egos, as mulheres se sentem no direito de desferir ódio, comportamentos e discursos preconceituosos gratuitamente, sem se perguntar realmente, se tais atitudes têm fundamento.
Segundo a professora Tailany Costa, 26, romper com essa cultura machista foi difícil. “Teve uma época da minha vida que eu tinha mais amigos homens do que mulheres, porque era mais uma das desculpas que reproduzia que mulher não era confiável. Isso mudou muito hoje. Tenho alguns amigos homens, mas tenho bem mais mulheres”, comenta.
Repleta de histórias Tailany também conta outra situação em que pôde se descontruir. “Uma vez, fui a uma festa e reencontrei uma menina com a qual não falava mais. Ela bebeu além da conta e sumi. Fiquei preocupada com o que poderia acontecer a ela. Sabe-se lá o que um cara mal intencionado poderia fazer. Quando a achei, estava dormindo e fiquei cuidando dela. Ao acordar, ela se surpreendeu de eu estar ali”.
Mais do que respeito, sororidade fala sobre o florescer da irmandade entre as mulheres.
Repórter: Bárbara Farias
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