Brasília: maravilhosamente única

Na capital, as pessoas andam de ‘zebrinha’, adoram um ‘camelo’ e fogem do ‘pardal’. A cidade tem o sotaque misturado de todos os brasileiros e um ‘mar’ multicolorido, de tirar o fôlego de quem mora ou passeia por aqui


Esqueçam todos os estereótipos. Brasília não é uma cidade de políticos, ladrões ou gente rica. Tampouco somos apenas a capital dos Três Poderes. Aqui, o projeto do arquiteto virou realidade; o sonho ganhou forma e o tempo fez o candango virar brasiliense. Aqui, existe muito mais do que se pensa ou mostra por ai. Brasília é o lugar onde todas as culturas se encontram, sem deixar de ter uma identidade própria.

Nas ruas sem esquina de Brasília, o sotaque é formado pela junção de outros sotaques. Aqui não tem ‘você’, tem ‘vei’; não tem ‘ônibus’, tem ‘baú’. Aqui, o nosso mar é o céu e nada se iguala àquele azul infinito ou ao amarelo e laranja do nosso pôr do sol. Saímos sempre preparados caso o tempo mude. Temos os ipês que dão um colorido especial na cidade. E ainda somos o terceiro maior centro gastronômico do país.

Para completar, temos uma fauna muito particular e pra lá de esquisita. Aqui, a gente anda de camelo (bicicleta), pega zebrinha (ônibus) na rua e foge dos pardais (radar eletrônico). E temos espaço de sobra para praticar esportes nos parques, no lago e no Eixão — pista que corta a cidade de norte a sul, fechada para os motoristas aos domingos para virar um sempre lotado espaço de lazer.

Aqui, 85% dos motoristas respeitam a faixa de pedestre. Segundo a assessoria do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), esse é o resultado de uma “intensa campanha educativa e de fiscalização”, que acaba de completar 18 anos. Basta ver o sinal da faixa de pedestre, para o brasiliense redobrar a atenção. E eles aprendem isso desde muito cedo. Tanto que a dona de casa Maria da Conceição de Almeida diz que seu filho João, de apenas 3 anos, aprendeu rápido as normas sobre a travessia da faixa de pedestre. “Quando chegamos à faixa, ele já estende a mãozinha para os carros pararem” conta.

Arquitetura

Brasília é também uma cidade de arquitetura única, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nosso Plano Piloto é a maior área tombada pela Unesco, com 112 quilômetros quadrados. A cidade também foi tombada como patrimônio histórico pelo Distrito Federal, em 1987, e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1990.

Aqui em Brasília, os endereços seguem uma lógica cartesiana. No Plano Piloto, desenhado pelo urbanista Lúcio Costa, os pontos da cidade são ordenados matematicamente, sendo divididos em setores e quadras que se encaixam dentro de dois eixos: o “Monumental”, no sentido Leste e Oeste, e Rodoviário com as asas Norte e Sul, dispostos em forma de cruz. Os nomes dos bairros e das principais avenidas são baseados nos principais pontos cardeais: Norte, Sul, Leste, Oeste, Sudoeste e Noroeste. E para simplificar, todas essas nomenclaturas foram simplificadas por siglas como SQN (Superquadra Norte), W3 (Avenida Oeste) e SHIS (Setor Habitacional Individual Sul). Temos ainda, 31 Regiões Administrativas (RA’s), que abrigam cerca de 2,8 milhões de habitantes, elas equivalem a municípios, mas sem prefeitos.

Cinema ao ar livre

Longe das famosas salas de cinemas espalhados pelos shoppings da cidade, o Cine Drive-in traz um ar de nostalgia e tradição para o centro da capital. Único no país, o local acolhe o público no conforto do próprio carro, com um espaço reservado para 500 veículos por sessão. Na programação, filmes nacionais ou internacionais ganham espaço no telão de 312 metros. O sistema de som é feito via rádio FM, transmitido apenas na hora do filme.

Inaugurado em 1973, o Cine Drive-in luta com a era tecnológica e tem tentado se adequar da melhor maneira possível. A adesão do projetor digital é um exemplo dessa evolução, que além de aumentar a qualidade da imagem, permitiu uma ampliação dentro da programação cinematográfica. A dona do estabelecimento, Marta Fagundes, diz que a compra do novo equipamento foi essencial, pois as próprias distribuidoras não estão mais produzindo longas-metragens em películas. “Estava tendo dificuldade para conseguir os novos filmes”, afirma.

Ela ainda espera futuras melhorias no local. “Tenho um projeto de revitalização do Cine Drive-in, mas precisamos de aprovação para a realização, já que não recebemos ajuda de custo do governo”, relata. Para os interessados em curtir um filminho à moda antiga, o Cine Drive-in fica aberto diariamente com sessão às 20h, de segunda a domingo, e aos sábados e domingos a sessão infantil é exibida às 18h. Mais informações no site: www.cinedrivein.com.br.

Cidade Verde

Também é destaque na capital a quantidade de parques. Atualmente, a cidade conta com 24 espaços para atividades ao ar livre. Entre eles, é possível destacar o Jardim Botânico, com 526 hectares abertos à visitação, além do Parque Ecológico de Águas Claras, que recebe, em média, quatro mil visitantes nos fins de semana.

No centro de Brasília, está o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, segundo maior parque urbano do mundo. Em janeiro, sua administração passou a ser da Secretaria de Turismo. O gestor do espaço, subsecretário Alexandro Ribeiro, explica que a nova gestão está mais próxima das necessidades do local. “Com a nova administração, foram mantidos os mesmos recursos do governo passado. Mas agora estamos muito mais próximos do parque”, ressalta.

Em maio, 10 km de ciclo-faixas foram pintadas ao redor do parque para o treino de atletas profissionais. A ação contou com o apoio do Detran e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Repórteres: Cibele Moreira, Lucas Bergê, Marina Nery; Nathália Josino e Wellisson Barbosa.
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Sobre Folha do Cerrado

Folha do Cerrado é um projeto da disciplina Jornal-Laboratório com a professora Maria Luz.
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