Criatividade na Lata

Por muito tempo confundido com pichação, o grafite é considerado por praticantes e adeptos como arte em forma de expressão


A manifestação artística em espaços públicos, conhecido como grafite, existe desde os tempos do Império Romano, com a utilização de carvão nas paredes dos monumentos para escrever frases de protesto. Sua aparição na Idade Contemporânea surgiu em meados do ano de 1970, na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. O movimento de arte urbana feito com tinta spray começou com jovens que espalhavam suas marcas nas paredes da Big Apple, fazendo desenhos e imagens em protesto a ordem social.

Diretamente ligado ao movimento Hip Hop, o grafite é uma forma de protesto contra uma série de injustiças sociais sofridas pelo público jovem, em especial a vida nas ruas. No Brasil, apareceu no fim de 1970, em São Paulo, como uma arte transgressora, que apresentava o desconforto de uma geração nos tempos de ditadura militar. Com um estilo diferente, o grafite brasileiro ficou reconhecido como um dos melhores do mundo.

Os grafiteiros utilizam spray em lata e até látex para fazerem seus desenhos nas ruas, muros e praças públicas. Muitas vezes, a arte não é compreendida pela população, que em sua maioria julga o grafite como vandalismo e o assemelha a pichação.


Experiência

O grafiteiro Hugo Young, 28, atua há dez anos. Começou a se interessar pela pintura vendo seu pai desenhando, além da percepção que tinha sobre as cores. “Elas dão vida e uma mistura de sentimentos para as ruas das cidades. É um verdadeiro diálogo com o cenário urbano”, conta. No começo, a pintura era um lazer e ele nada ganhava com as obras. Logo, começou a gerar lucro com o seu trabalho. Atualmente, com esse dinheiro, realiza viagens e consegue se manter. A arte lhe proporciona diversas experiências e supre necessidades.

Young já produziu algumas propagandas para a televisão como para a empresa de calçados Agittus e inúmeros trabalhos diferentes do que um artista tradicional está acostumado a fazer, como, Red Bull, Mitsubishi e trabalhos fora do Brasil. Ele afirma que todos têm a sua importância, mas que o diferente dá aquele friozinho na barriga. No mês passado, estava  com uma exposição em Miami, que trouxe uma notória visibilidade, além de, preencher os requisitos de um artista bem qualificado e reconhecido no mundo por sua arte icônica.

Existem projetos sociais realizados pelo governo onde, através do grafite, ajudam os jovens a saírem das ruas, do mundo das drogas e da criminalidade, tendo liberdade de expressarem seus sentimentos e desenvolverem o ofício para uma vida toda. O governo do Distrito Federal criou projetos no qual nunca saíram do papel por não serem bem formulados. Young por ser um profissional, diz não concordar com esses projetos, pois acredita que eles não atuam de forma correta. “Muitos encontram dificuldades para entrar nesses projetos por problemas na forma de pagamento por parte do GDF”, afirma. Os artistas dizem perder a confiança  em atuar, podendo ter problemas futuros com o recebimento.

Aceitação

No Brasil, existe diferença de visibilidade entre o grafite e a pichação. Apenas no nosso país as pessoas acreditam em uma diferença entre ambos. O que não acontece no resto do mundo, pois tudo acaba se tornando a mesma coisa.  A pichação é considerada um crime ambiental, pois são rabiscos feitos sem autorização no espaço urbano. O que torna o cenário mais sujo e contrasta diretamente com o grafite. Uma das principais dificuldades da Delegacia de Meio Ambiente (Dema) é identificar os autores do crime. Mas se sim, a pena varia de três meses há um ano de prisão, principalmente se o ato for realizado em monumentos, placas de sinalização e prédios tombados historicamente. As autorizações são necessárias apenas em casas ou prédios, caso contrário são realizados ilegalmente. O grafite são desenhos feitos também sem autorização, mas, por conta das cores e das artes,  ganham espaço e respeito entre a população que são atingidas por essas e outras manifestações artísticas diariamente.
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Sobre Folha do Cerrado

Folha do Cerrado é um projeto da disciplina Jornal-Laboratório com a professora Maria Luz.
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