O Brasil e a Xenofobia

Apesar de apresentar a maior miscigenação cultural do mundo, o povo brasileiro ainda tem problemas para lidar com a situação


A xenofobia, como forma de preconceito, se caracteriza pela aversão e a discriminação dirigidas a pessoas de outras raças, cultura, crenças e grupos. Em seu sentido mais restrito, podemos caracterizá-la como um medo excessivo e descontrolado diante do diferente, do desconhecido.

Um relatório publicado pelo Instituto Ipsos de Pesquisa revela que apenas 49% dos brasileiros consideram que os imigrantes tornam o país um lugar mais interessante para se viver. E que 47% acham que os imigrantes trazem benefícios para o país. O Brasil não está entre os países com maior índice de imigrantes, mesmo assim, esses números não podem ser considerados satisfatórios já que 38% dos brasileiros reprovam a presença de estrangeiros no país.

Outro levantamento realizado pela SaferNet Brasil, uma ONG que combate o xenofobismo, acusou o aumento de 8,29%, só em 2014, dos crimes de xenofobia cometidos pela internet. Se comparado a 2013, o crescimento foi alarmante.

Para o psicólogo Fernando Habibe, as redes sociais não contribuem para a melhora desse problema social, já que por ela são transmitidas tantas mensagens, fotos e informações preconceituosas. “Quem usa a internet para disseminar o ódio aquele encontra uma forma de agredir e achar que aquilo não vai lhe causar nenhuma consequência. Além disso, o alcance é muito maior.” ressalta o psicólogo.

Alguns brasilienses confessam ter sofrido xenofobismo. A prática que é considerada como crime pela Constituição Federal (Lei nº 7.716, art. 1º), já atingiu muitos que nasceram e vivem no Distrito Federal.

Em sala de aula, a assessora Jamile Rodrigues, 23 anos, passou por momentos difíceis ao ser vítima de xenofobismo por um colega de classe.  “Tudo surgiu a partir de piadinhas, depois foi ficando agressivo e desrespeitoso. Ele começou a dizer que tinha nojo de brasiliense e que aqui não havia ninguém melhor que o povo da terra dele. Falou também que somos esnobes e sem cultura.”, declara a assessora.

A jovem conta que mesmo após ter tentado conversar com o rapaz, ele continuou com atos de preconceito explícito. “Por vários dias ainda recebi mensagens constrangedoras com insultos e xingamentos. Com medo, optei por não denunciar. Mas hoje vejo que poderia ter feito diferente.”

Para a estudante de pedagogia, Patrícia Alves, 19, os brasilienses acabam levando uma parcela de culpa por conta do cenário político da cidade. “Sempre  ouço piadas que nós brasilienses somos antipáticos, desonestos e que compactuamos com a corrupção. Por diversas vezes viajei e até tive que deixar um estabelecimento por me sentir ofendida e intimidada com essas declarações. Acho que isso precisa mudar”.

Segundo o sociólogo Carlos Alves, o xenofobismo é característico de pessoas com personalidades visivelmente alteradas. E que atitudes de rejeição expressam o medo do ser humano em conhecer o diferente, o que não se assemelha aquilo que lhe foi ensinado sempre, no caso da cultura. “As diferenças podem ser vistas como ameaça, criando assim, um perfil xenofóbico para qualquer um de nós”.

Para Alves, a causa desse sentimento de preconceito vem do etnocentrismo, que nada mais é do que julgar os valores de outra sociedade com base no seu próprio valor.

DENUNCIE JÁ! 

Em Brasília, casos de xenofobia e racismo podem ser denunciados na Delegacia de Divisão de Crimes de Alta Tecnologia (DICAT) ou pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. É recomendado que a vítima reúna o máximo de provas que conseguir (email, mensagens ofensivas publicadas em redes sociais, vídeos ou fotos). Esses dados serão encaminhados para perícia e, se constatada a veracidade, aceitas como prova oficial.

Divisão de crimes de Alta tecnologia - DICAT, Brasília. Endereço: Setor Áreas Isoladas Sudoeste, Bloco D - Brasília (DF). Fone: (61) 3462-9533

Repórter: Brenda Soares e Clara Caroline.
Manda pro Google Plus

Sobre Folha do Cerrado

Folha do Cerrado é um projeto da disciplina Jornal-Laboratório com a professora Maria Luz.
    Comente pelo Blogger
    Comente pelo Facebook

0 comentários:

Postar um comentário