Especialistas afirmam que Crise Hídrica se deve à falta de planejamento e gestão. O problema, apesar de antigo, foi ignorado pelo poder público e até mesmo pela população desde o ano de 1994.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) já alertava desde 1994 para um provável período de carência de água que, após apuração e análise, foi constatado e recomendado que houvesse um preparo e também planejamento para a época e para o futuro.
Não podemos deixar de falar da seca ocorrida também entre o período de 1998 à 2002, época em que um racionamento de água e energia aconteceu em vários municípios, distribuídos entre as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, deixando mais um alerta para que medidas de planejamento e gestão fossem tomadas.
Segundo o geógrafo Gustavo Veronesi, da SOS Mata Atlântica, uma série de fatores colaboraram para que chegássemos à situação vivida hoje. São eles: o desmatamento em todos os biomas, falta de saneamento básico, poluição de rios, gestão das águas de maneira burocrática, enfraquecimento dos Comitês de Bacia Hidrográfica, isso quando os mesmos existem, e gestão da água pela oferta e não pela demanda.
Veronesi vai além e revela que " falta uma gestão ambiental, em geral, mais adequada às necessidades, com critérios mais técnicos do que políticos, nas três esferas governamentais e que sejam aplicados pelos três poderes da União. Por fim, a sensibilização do cidadão, que também é parte importante do processo, e fundamental, levando conhecimento para melhores práticas de consumo, afinal, tudo que consumimos precisa de água".
Especialistas afirmam que atualmente vivemos em uma seca pior do que os períodos anteriores. As grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo não podem e não devem confiar na regularidade das chuvas.
Segundo o professor Sergio Koide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UNB), nesse intervalo de anos, o setor elétrico planejou e iniciou a construção de novas usinas hidrelétricas, termoelétricas e eólicas.
Sobre dados da Sabesp, o nível do Sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas em São Paulo, caiu devido a falta de chuva e os reservatórios paulistas receberam apenas um quarto da água esperada em média para encher o cantareira e as principais represas que abastecem a região.
Até a chegada da crise em 2014, nem o governo e nem a população deram a devida importância ao assunto. Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), da presidência da república o Brasil é dono de 12% de toda água doce do planeta e ainda assim passa por dificuldades.
Ney Maranhão, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), declarou que a escassez hídrica do Sudeste tem a ver com os modelos de desenvolvimento adotados e que já começam a chegar em sua exaustão baseada em modelos ultrapassados de gestão.
Especialistas afirmam que as Usinas Termelétricas começaram a ser construídas no ano 2000 e já foram concluídas. Hoje, apesar do seu preço de operação ser alto, garantem o fornecimento, mesmos com os níveis de água estando muito abaixo na maioria das hidrelétricas.
Já as usinas hidrelétricas têm sofrido nos últimos anos muitas críticas, devido ao atraso na sua construção. Algumas delas foram construídas, mas outras, como as do rio Madeira e do Xingu (Belo Monte) sofreram grandes atrasos. Ainda segundo Koide, “esses atrasos se dão devido a questões ambientais e sociais, algumas importantes e outras duvidosas” e conclui que no setor elétrico houve planejamento, mas a gestão deixou a desejar.
Conforme os especialistas entrevistados, campanhas e medidas de redução de consumo deveriam ter sido iniciadas ainda no início de 2014. Alternativas de abastecimento, como o uso das águas da represa Billings e de outras fontes deveriam de imediato estarem implementadas já que medidas de planejamento por parte dos governantes e também da população não foram feitas em resposta à seca de vinte anos atrás.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, chegou a dar declarações de que a atual crise merece atenção e falou que o tema é prioridade do país principalmente para a grande parte da população localizada na região sudeste.
Geraldo Alckmin (PSDB), governador do Estado de São Paulo, chegou a admitir que o racionamento seria adotado em algumas localidades e que outras medidas de planejamento e gestão estavam sendo tomadas.
A assessoria de imprensa da Frente Parlamentar Ambientalista afirmou que a mesma, está em busca de soluções, com o objetivo de apoiar as políticas públicas, programas e demais ações governamentais e não governamentais que possam promover o desenvolvimento sustentável do país.
Repórter: Ellen Braga
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