Infância roubada

Erotização infantil é consequência do silêncio da sociedade e da omissão dos meios de comunicação

Primeiros beijos e namoricos escondidos são, frequentemente, incentivados pelas novelas infantis. Mas, até que ponto, isso pode afetar o comportamento dos pequenos? Esse processo precoce no desenvolvimento das crianças, expostas aos conteúdos não recomendáveis à sua idade, vem alarmando educadores e psicopedagogos. Além da mídia, a falta de uma posição dos pais e da escola tem se mostrado um dos fatores que provoca determinantes para essa precocidade.

Barbara Hosana F. M. de Oliveira ficou grávida pela primeira vez aos 14 anos. Ela conta que, a princípio, os pais dela ficaram chocados com a notícia. Somente aos poucos, começaram a aceitar. Para a jovem, a gravidez indesejada na adolescência é resultado da falta de diálogo e orientação dos pais, bem como a ausência de educação sexual nos colégios.

A indústria cultural, com a crescente exposição do corpo, provoca uma erotização antecipada de crianças e jovens. Recentemente, o caso MC Melody – menina de 8 anos que dança e canta funk, com o consentimento do pai – assustou pais e mães mundo afora. “Acho que isso influencia, e muito, porque as crianças querem ser iguais A ela, e isso não é certo. Criança é criança”, comenta Bárbara.

Devido as crianças passarem a maior parte do tempo na escola, esta deve ter papel fundamental na preservação da infância. O estímulo às brincadeiras infantis e à criatividade, nesta etapa da vida, são essenciais para ensiná-las a diferenciar o que é próprio à sua idade.

Para a psicopedagoga Adriana Perez é preciso que os pais acompanhem os filhos, filtrando as informações a que eles têm acesso e não os estimulando a viver num universo adulto, do qual pouco compreendem o real significado.

“Uma criança não pode ser exposta a quaisquer situações que produzam risco à sua integridade física ou mental. Nos centros de ensino, elas estão protegidas e assistidas por profissionais que entendem a necessidade e a importância de não pular etapas no desenvolvimento infantil”, esclarece a psicopedagoga.

Repórteres: Melissa Cirino e João Perez
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Folha do Cerrado é um projeto da disciplina Jornal-Laboratório com a professora Maria Luz.
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